segunda-feira, 8 de junho de 2009

Paredes Blindadas - capitulo 6


Capitulo 6

no elevador

- Bom, eu sabia nadar. Mas fingia que não sabia só para os surfistas me ajudarem, me carregarem...
- safada
- é você, tamburete...
- e um dia eu estava lá vendo o campeonato quando...

1985, praia, campeonato de surf - obviamente isto aqui é um flash-back

- você invadiu minha onda, perdi ponto
- po, moço, eu não sabia...
- pois fique sabendo. agora perdi ponto, tou fora do campeonato
- então pague uma caipirosca pra mim?
- caipirosca? na praia? sendo eu surfista? é ruim... você quer me desclassificar?
- nãaaaaao, de jeito nenhum, mas eu quero outras coisas tambem...

hoje em dia (no tempo da novelinha, claro) no bar...

- po, que mulher atirada...
- engenheira de minas, né? acostumada a buracos, tuneis, galerias, desmontes de rochas...
- e você deu o que ela queria?
- quem deu foi ela...
- quando acaba dizem que homem não gosta que mulher ataque
- toda regra tem excessão, né? e no caso dela duas... posso continuar a história?

no elevador

- puxa, que romântico. exatamente o que eu faria...
- mas você só tem 10 anos. e o Marivaldo é um osso duro de roer. Sabia que entre a praia e ao nosso casamento eu ainda esperei sete anos.
- sete é conta de mentirosoooooo...
- ninguem lhe perguntou, Nivaldo, fica quieto.
- já eu conheci a Liomara em outras circunstâncias.
- pois eu queria saber...

no bar

- como eu conheci Arthur? coisa besta. Numa festa, conhecidos meus e dele nos apresentaram, dancei, fiquei casei em cinco meses
- que rápido... eu demorei sete anos para casar com a Lucia.
- eu precisei casar, emprenhei. Meu pai era brabo... antes disso nos pegou no jardim devidamente entalados...

no elevador...

- entalado??? cacaca... você com uma mulher depravada dessa ainda quer amante?
- entalei com o susto, estava brincando de upa, upa cavalinho quando ouvimos aquela voz... Liomaraaaaaa, era o pai dela
- cacacacacaca... desculpe, mas não consigo parar de rir...
- alguem se interessa em saber como eu conheci o falecido Henrique?
- ah, e como eu conheci minha esposa Maria?
- e meu noivo, o Marco?
- quem quer saber como eu conheci Abinovaldo?
- conte sua história, Nivaldo...

quatro meses atras, no ponto de onibus

- bom diaaaa
- uauuuu, bom diaaaaa, novo aqui na rua?
- é, eu sou portugues, me chamo Abinovaldo.
- eu sou bicha mesmo, e me chamo Nivaldo... sabe que tem rima? Nivaldo com Abinovaldo.
- bom quero saber que horas passa o ônibus pro centro?
- hora? moço, isso aqui né Portugal não, é esculhambação mesmo, passa na hora que chegar e reze pro motorista parar no ponto
- pois, pois... bom, é que eu quero mandaire esse retrato para minha mãe, e tenho que ir ao correio
- mas isso não é um retrato, é um espelho...

de volta para o futuro, no elevador...

- bom, foi minha deixa, precisei explicar a ele que ali era ele mesmo, que quando a velha mamãe dele olhasse ia tomar um susto achando que ele tinha
virado mulher e como o ônibus demorava muito eu poderia preparar um bacalhau para ele...
- ele aceitou?
- bom, respondeu "tanto faz, eu já errei de andar mesmo"
- mas isso é outra piada...
- só que o bacalhau que eu preparei não teve nada de engraçado, não...

desde quando Nivaldo, o boy, sabia cozinhar bacalhau? e desde quando ele era bicha? e que receita ele fez?
aguarde...

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