sábado, 31 de janeiro de 2009

a mão que abana a churrasqueira - capitulos 4 a 6



Capitulo 4

- Elesbinaaaaaaaaaa, o que você está dizendo é muito grave
- que eu aceito troca de favores?
- não que você não é jornalista
- sou mesmo, não. sou formada em decoração, mas eu gosto de escrever
- quem falou que jornalismo é só escrever?
- mas é fácil eu aprendo
- nada disso... mesmo com você morrendo de diarreia, sinto muito, terei que
lhe denunciar ao sindicato
- pliiiiiiis, não faça isso, me leve ao médico, primeiro
- levo, mas ao Hospital da Esquina
- aquele onde morreram os defuntos que a Aurora falou? nãaaaaaao
- não tem importancia, Bininha, seu nome não é Antonio...

epaaaaaaaaaa, como Eleosvaldo sabe que os defuntos chamam Antonio?

- enfermeira, por favor, me acompanhe até a diretoria
- mas eu não fiz nada errado, só estou vendo o armário dos remédios
- me acompanhe até a diretoria, por favor, só médicos chegam aqui no armário
dos remédios
- é? pois vou aproveitar e dizer ao diretor que os remédios estão com o
prazo de validade vencido...
- é mesmo jornalista Aurora, editora de Defuntos do jornal Tapinha do meio
dia?
- heim, como ce me reconheceu?
- elementar, minha cara jornalista, enfermeira nenhuma fica xeretando por
ai...

mais tarde

- me lasquei. Ou então... Ah, ai tem truta. Como eles me reconheceriam? Eu
planejei tudo. Alguem me dedurou, mais quem?
Hum... Viviane? Norma Sueli e Claudete Sandra aquelas colunistas desocupadas
que passam o dia inteiro no bar bebendo cerveja? Eleosvaldo? Fernandão, o
fotógrafo? Elesbina... Sim, Elesbina, eu ouvi gritos dela na portaria, deve
estar querendo furar a matéria e se fingiu de doente... Bom, tenh. o Laboratório Macedo & Maistarde Broders e Associados Limitada,
fabricante do prendedor de intestino com a data de validade vencida...
Mas, cá pra nós, tu me pagas, Elesbina...

enquanto isso na enfermaria W

- putzzzzzzzzz, enfermaria W? Caraca, que o plano de saude não cobre suite
ou apartamento eu sei. Mas podia ser enfermaria A ou B...
- Elesbina, o hospital aqui é do SUS.
- Mas eu tenho plano de saude. Eu fiz permuta, decorei o apartamento do dono
da empresa de medicina de grupo e coloquei umas notinhas favoráveis no
jornal
- plano para exames de fezes, que nenhum médico pede, Elesbina, eu já
chequei
- tou lascadaaaaaaaa, eu vou morrer... Se me derem o Prendedor de Intestino
Macedo eu tou lascadaaaaaaaaa
- não morre não. O diretor do hospital já deu sumiço nas provas?
- provas?
- mandou incinerar os remédios com validade vencida...
- mesmo assim eu tou lascada, quando Aurora descobrir que eu estou aqui e
misteriosamente você está sabendo tudo sobre os defuntos que morreram no
hospital, ela vai me trucidar viva.

no botequim

- Normaaaaaaaaaaa, você não sabe das fofocas
- da Elesbina, da Aurora e do hospital? Já ligaram no meu celular pra
contar, Claudete
- quando acaba eu sou a colunista de fofoca, tá vendo ai? sou a ultima a
saber das coisas
- é que eu sou apuradora, o povo da cidade todo me liga contando as coisas e
eu passo para a pauta, hora...

enquanto isso na redação

- Tapinha do Meio Dia, redação, boa tarde... Aqui é Vitória Eliana a
secretária. Não, saiu todo mundo. Foi. De tarde nas redações é um vazio
demográfico só, menino, só rola reporter fazendo uns bobozinhos pra encher
página, o quente é de manhã e de noite. Aurora? A dos enterros? Deve ter ido
fazer ronda nos cemitérios. Não está aqui não. O que? Dizer a ela? tá bom.
Pode deixar que darei o recado...

qual o recado que mandaram para Aurora? Vejam depois
 
Capitulo 5

Vitória Eliana, a secretária, atende um telefonema com um
recado para Aurora. Nubia Jorgina, funcionária do arquivo
que vivia xeretando a redação, se contorceu de curiosidade
em saber que recado era esse, mas Vitória Eliana é daquelas
pessoas discretissimas que não conta nada nem ao padre no
confessionário. Só Aurora soube do recado...
- Duda Guaranaes, marqueteiro? Sei lá quem é. Não vou ligar
de volta não, Vitória. Faz seguinte, quando ele ligar,
pergunta a ele se a mãe dele vai bem e diga que eu mandei
ele TC e PB(*)...

entrementes os ouvidos das paredes da redação que se chamam Norma Suely,
Claudete Sandra, Viviane e Nubia Regina (enxerida e xereta)...

- Caraca, não acredito. O Duda Guaranaes, maior partido da cidade, dá mole
para ela, liga pra ela, deixa o telefone, diz para ela ligar e a idiota
esnoba...
- esnoba, não, mandou tc e pb
- e jogou o papelzinho do telefone fora
- mesmo?
- tá lá na cesta pois a faxineira ainda não recolheu o listo
- meninas, tive uma idéia sinistra...
- qual, Viviane?
- bom, o Guaranaes não conhece a voz da Aurora, né?
- ce pensou no mesmo que eu...
- vamos a luta, então

e assim, as bisbilhoteiras resolveram ligar pro Duda Guaranes, ver qual é e
já sonhavam com um encontro...

- não podemos marcar encontro...
- porque?
- quem é que vai?
- pois é: quem é que vai? vai dar briga

alheia a todos os mexericos, Aurora conseguiu ajuda do contínuo do hospital
Edenivaldo e teve acesso as fichas com os procedimentos médicos dos 17
defuntos chamados Antonio

- Todos foram atendidos pela mesma médica Laura Zureta, pela mesma
enfermeira, Luciana K Paxo, ficaram todos na enfermaria w... Caracaaaaaaaa,
Elesbina está lá. Vou ter que voltar ao Hospital.
Problema é entrar lá. Eu tou marcada, mas não vou deixar a Elesbina correr
risco de vida. Mesmo que seja uma decoradora ocupando o lugar de um
jornalista, mais, trabalhando de graça e fazendo corrupção... Vou lá... Vou
tirar a Elé de lá de qualquer jeito...

daqui a pouco o telefone torna a tocar para a Aurora que desta vez atende

- Editoria de falecimentos...
- Aurora, aqui quem fala é o Duda Guaranaes, o marqueteiro. Que tal trocar a
matéria dos defuntos do Hospital da Esquina por uma bela viagem no navio
Ogenio Z?
- Porque não manda Viviane? Ela é editora de moda, bonita, sarada,
chiquérrima...
-Não queremos ninguem do circuito de moda nem nenhum jornalista
recem-egresso das faculdades...
- Manda a Elesbina, ora. Ela é decoradora e adora essas coisas chiquérrimas.
- Ce não entendeu, Aurora, temos ordem. Tem que ser você, ce tem que parar
com a matéria dos defuntos, entendeu? Pode prejudicar a imagem do hospital.
- Pois eu sou anarquista, rebelde, revolucionária e NUNCA VOTEI NO PT. Não
vou, não vou, não vou. E olha que nem medo de navio eu tenho, eu sei nadar.
Manda a Viviane e Zé Fini...

do outro lado do telefone

- quero saber quem foi que disse que jornalista se vende por um prato de
almoço. Essa dai não quer se vender nem por um cruzeiro de navio
- ce errou a tática, guaranaes, ofereceu cruzeiro que saiu de circulação há
muitooooo tempoooo

quem é este ser misterioso que conversa com o Guaranaes? E o que acontecerá
com Aurora se não aceitar a propina do navio?




Capitulo 6

- Cada uma que inventam. Esses marqueteiros, viu? Vou te contar. Veja se vou
perder a chance de desmascarar o serial killer do hospital. Nunca... Eles
querem cobertura de viagem de navio? Mande a Viviane, ora...
- Falando sozinha, baby...
- Paulete, santa... Só você para me entender.
- Conta aqui pro Paulinho, Rorinha... Saudades do Fernandão?
- Aquela anta? Deus é mais. Ele que fique lá com a mocréia dele. Eu tou
ótima sozinha.
- Mas quem vai viajar de navio
- Eu, se quisesse, se pensasse que nem a Elesbina, se fosse verdade que
jornalista se vende por um prato de comida
- Ah, meu bem. Não vamos exagerar, né? Bem que eu, editor de economia, podia
ir em seu lugar, eu e meu bofe novo o Carlinhos, um empresário
maravilhoso...
- Boa idéia, Paulete, e você é mais minha amiga que a Viviane ou a Elesbina.
Vou ligar pro Duda Guaranaes e falar que...
- Duda Guaranaes? Aquele da pendenga lá da propaganda das cervejas Cana e
Iscrinol com o Zezé Axezinho?
- Pois é...
- Então tou fora... Se ele falar pra meu bofe que me trair com o Chico da
Portaria não tem nada demais? Vou não. Eles que arrumem outra pessoa ou vai
você mesmo, santa...

toca o telefone

- Aurora...
- Fernandão? Qual o caso?
- Deixa a Laura em paz. Ela não lhe fez nada.
- Sei lá quem é essa Laura.
- Laura Zureta
- Ah, a médica e provavel serial killer...
- Ela não é serial killer. Ela é séria. Ela é vítima da oposição.
- E você é uma anta idiota que acredita nessas babacas.
- Ela não é babaca.
- Ela é pior que babaca, meu caro. Mas eu que não vou gastar palavrão na
novelinha. Sou uma jornalista chiquérrima...
- que cobre enterro
- enterro ou não enterro eu não roubo nem copio diagnóstico de outro médico
que nem ela faz
- prove
- vou provar sim. Você vai ver, Fernandão.
- Não brigue com a Laura. Esqueça ela por favor. Vai viajar de navio...
- Vou viajar um kct. Vou ficar aqui e agora eu cismei: vou meter a Laura na
cadeia. Vou provar que ela é a serial killer...
- Não é ela...
- tá assinado e eu estou com as fichas, Laura Zureta...
- Me dê as provas... Me mostre...
- Nunca, anta... Jamais... E aliás, que história de Laura é essa? Tu não
estava de cacho com uma tal Ceci Lambisgoia?
- Essa dava a todo mundo...
- E a Sheila?
- Não deu certo...
- Ai pegou a matadora de doentes...
- Ela não é matadora...
- Veremos, Fernandão... Ah, e por favor, esqueça que eu existo, tá?

enquanto isso, no botequim

- Coisa mais cafona, botequim... A autora da novela poderia ter arrumado uma
lanchonete, um shopping center, um fast-food
- Tá doida, Norma Sueli? Jornalista em fast-food? Ainda mais mulheres
antenadíssimas, saradas, etc, como eu, você, a Viviane...
- Falando em mulheres, tem algo estranho nessa história.
- O que, Normete?
- Falta homem. Só apareceu até agora o Eleosvaldo
- E o Guaranaes, o Fernandão e o Paulinho?
- Dois homens e meio, e só apareceram de telefone.
- o que você acha?
- que tem serial killer mal resolvido ai. Eiiiiiiiiiiii...
Aguente ai dois minutos. Saquei uma coisa, deixa falar lá pra a Aurora...


Assim Norma Sueli deixa Claudete Sandra no boteco e vai atravessar a rua
para contar algo que ela descobriu a Aurora. Nesse momento, passa um carro
e...

...e aguarde o proximo capitulo... que acontecerá com a Norma? E no
hospital? Como está Elesbina na enfermaria w? E Laura Zureta? E os pacientes
chamados Antônio deixaram alguma herança? Vejam depois

a mão que abana a churrasqueira - capitulos 1 a 3

Capitulo 1

Em jornal, tem uma função que ninguem gosta e, aliás, todo mundo detesta: ir
aos cemitérios (ou ligar pros cemitérios) e pegar as listas de enterros do
dia. Mas, os tempos andam bicudos e é aqui que vamos encontrar nossa
protagonista, Aurora, em meio a lista de defuntos do dia...
- Alô, Cemitério Portal do Paraiso? Quantos morreram hoje?
E eis que nossa protagonista, reporter formada em jornalismo, pós graduada,
etc e tal, descobre uma coisa esquisita ali na lista de defuntos:
- cemitério Jardim Já Era: quinze mortes, sendo 9 no Hospital da Esquina.
Portal do Paraiso, 12 mortes, sendo 8 no Hospital da Esquina.
Caracaaaaaaaaaaaa... Esse cemitério deve ser uma boa porcaria. Entrou lá,
morre...
Aurora faz um bilhete para a pauteira
- Chefinha Ângela, tem algo errado no Hospital da Esquina. Hoje, de 27
defuntos, 17 morreram nesse hospital e apenas outros morreram em outros
locais. É só ver a lista dos dois principais cemitérios da cidade o Portal
do Paraíso e o Jardim Já Era. Porque ce não faz uma pauta?
Chefinha Ângela faz a pauta, mas o chefe de reportagem, Salgadinho, acha que
é besteira...
- Auroraaaaaaaaaaa, venha cá imediatamente...
- qué qui foi?
- que negócio é esse de fazer pauta pra investigar quem morreu no Hospital
da Esquina.
- Ah, chefe, veja bem, de 27 defuntos de dois cemitérios, 17 morreram no
mesmo hospital. Eu fiquei invocada.
- e quantos hospitais tem nessa cidade? Mais de 10? quantos atendem pelo
SUS? Se liga, muié... Eu sei que você quer deixar a coluna de falecimentos,
passar a ser reporter, mas veja bem, ce tá numa posição importante, é
editora de uma coluna. Tem carro e fotógrafo para percorrer os principais
cemitérios e funerárias da cidade, tem passe livre no crematório, caixinha
para cobrir velórios de pessoas importantes. Quantos jornalistas gostariam
de estar na sua função, já pensou nisso? Esqueça essa matéria, Aurora,
esqueça essas mortes e fim de papo...


Aurora então pensou:
- desistir, eu? mais fácil galinha criar dente. Pois eu vou investigar por
conta própria. Se descobrir eu boto a boca no trombone e ainda denuncio o
chefe no sindicato,.,

entrementes...

Na cantina do jornal uma mão levanta uma panela...

- Oh, não... asa de galinha de novo? e pior, toda sapecada parecendo que as
galinhas foram atropeladas e carbonizadas por uma carreta scania?

que será que Aurora vai fazer? e quem é que está xeretando o almoço na
cantina do jornal? veja no capitulo dois... breve

Capitulo 2

-oh, não, asada de galinha de novo? e, pior toda sapecada parecendo que as
galinhas foram atropeladas e carbonizadas por uma carreta scania?
- pode parar, Elesbina, nós já ouvimos esta frase ontem.
- Elesbina, não, Roma, faz o favor...
- Mas na sua carteira de identidade tem Elesbina
- Meu nome é Roma. Eu quero que seja Roma
- Mas de qualquer jeito é ridiculo.
- Ridiculo mas é meu, e zé fini.
- Queria saber porque você reclama das asas de galinha. Ce nem almoça aqui
na cantina, almoça no Bar de Setenta que é pior ainda.
- Ah, Eleosvaldo. Eu almoço onde quiser, reclamo do que eu quiser e comer
asa de galinha Deus é Mais. Vou reclamar no sindicato, Eleonora, a
presidente, é colunista de gastronomia, ela tem que ver que miséria andam
servindo aqui.
- KKK, Elesbina. Ela não vai acreditar em você.
- Porque não?
- Ce acha que pessoa que almoça aquele ensopado ridículo de Setenta merece
crédito ao reclamar de comida?

enquanto isso, num boteco próximo

- Lá vai Aurora...
- Tou vendo, Norma Sueli. Aurora ganha o salario mais fácil do jornal, só
percorrer cemitério e pegar lista de defunto.
- É... Mas ainda é cedo. Será que morreu alguem importante, Claudete Sandra?
- Não, senão eu, como colunista de fofocas, já saberia.
- Ela deve ter ido ver aquele fotógrafo gostoso que ela tem um caso
- tem mais não, terminaram...
- Mesmo? Que bom saber vou lá fazer uma visitinha...

- que será que Norma Sueli e Claudete Sandra fazem num botequim quase na
hora do expediente? vejam depois, no capitulo 3o outro
caminho..



Capitulo 3

- Norma Sueli olha quem vem ai, Viviane, vamos chamar pra papear
- Viviane é muito sem graça, Claudete Sandra, editora de moda
- a gente faz a média pra ganhar ingresso gratis pros desfiles
- nem precisa chamar, olha ela ali
- Normeeeeeeeeeeeteeeeeeeeeeeee, Claudeteeeeeeeeeeeeeee
- Olá, Vivi
- já sabem da fofoca? Aurora dos defuntos se rebelou e disse que vai virar
repórter de qualquer jeito. Pegou o carro e se mandou para investigar não
sei que...
- Putz, ce tá bem informada, quando acaba a colunista de fofoca sou eu...
- Não, Claudete querida, é que eu estava na redação quando vi ela discutindo
lá com o Salgadinho e dizendo que galinha vai criar dente ou coisa assim
- Mas o que aconteceu, Viviane?
- morreram 17 num hospital só, Aurora desconfia de serial killer.
- ahahahahaah, essa é boa, serial killer em hospital do Inamps?
- larga de ser demodê, Norma Sueli, há muito tempo que é Sus. Não tem mais
Inamps, não.
- que seja, mas vamos e venhamos. Serial killer no hospital do Sus?
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

entrementes no Hospital da Esquina

- Putz, que coisinha cafona esse uniforme de enfermeira, mas é o jeito de eu
ter acesso as fichas dos pacientes, deixa ver aqui, antonio a, entrou dia
tal, morreu dia tal, causa, diarreia, antonio b, entrou dia tal, morreu dia
tal, causa, diarreia.
Heim? Caraca, todos se chamam Antonio ou tem Antonio no nome, todos entrarm
no mesmo dia, todos morreram de diarreia, todos tomaram o mesmo remédio
Prendedor Intestinal Macedo... Ai tem coisa, e já sei por onde começar a
xeretar... No armário dos remédios...

enquanto Aurora, vestida de enfermeira xereta o armário de remédios do
hospital, Elesbina, ou Roma, como queiram, passa ligeiramente mal depois de
comer asa de galinha sapecada na cantina

- aaaaaaaaaai, que dor ordinária, buaaaaaaaaaaaaaa, buaaaaaaaa
- calma, Rominha
- calma uma ova, Eleosvaldo, tou aqui com dor, me esvaindo de diarreia...
- já estamos lhe levando ao hospital
- nãaaaaaaao, o Hospital da Esquina, não
- porque?
- é o tal que morreram 17 defuntos hoje e o chefe não quer investigar. Vamos
para uma clínica particular.
- com seu salário de estagiária de jornal on line?
- ah, eu faço uns por fora, prometo um site pro dono da clinica e fica tudo
na boa
- corrupção e troca de favores, não, Elesbina. Vamos limpar o jornalismo
disso...
- doce ilusão, meu caro, e depois quem disse que eu sou jornalista?

o que? Elesbina não é jornalista? E Aurora com o tal Prendedor Intestinal
Macedo?

domingo, 25 de janeiro de 2009

Mulheres que falam demais - final

Capitulo 8

Médicos... Humpf...
Bom, passando a novelinha para uns grupos, eis que uma médica protestou da
minha sinopse do capitulo 7, aquela dos médicos que dão remédios vencidos
aos pacientes. Uma situação hipotética mas...
Ah... Aconselhei a moça a procurar um médico daqueles que cuida da cabeça.
O que me irrita dos médicos, estava falando isso no telefone com a Lu da
dupla Beth e Lu é a mania que eles tem de igualar todo mundo. Ora: isso
arrasa com a biodiversidade. E mais, isso arrasa com o ser humano. Veja que
nem cachorro é igual e agora querem que os seres humanos sejam iguais. Mas
minha filosofia é outra: se gente fosse igual carteira de identidade não
tinha foto.
E chega de queixa pois isto deveria ser uma novela.
Deveria.
Mas se tornou apenas um pequeno muro das lamentações durante meu inferno
astral. Algo tão chato que tem uma semana de intervalo entre cada capitulo.
Nem eu guento, turminha...
Mas, sabe que mais?
Gostei da história dos remédios vencidos, quem sabe e depois de A mão que
abana a churrasqueira teremos um serial killer formado em medicina?
Aceito sugestões
e aproveito para dar meus recadinhos:
- Beth e Lu, adorei o papo no telefone, liguem mais vezes!!!
- Cumadi Deo, o msn e o icq estão de mal a pior de vez em quando caem fora
as horas em que eu clico no sign out por engano. Mas eu sou loira, se
lembre.
- Rapazes da net, beijos, abraços, carinho e dengo
- muierada - um oizinho blasé
e até o capitulo 9 (?)

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

mulheres que falam demais capitulos 5 a 7

Capitulo 5

Toda pessoa muito certinha tem um passado (ou presente) condenável. Não dá
outra. Tinha um tio. Er, não era bem tio, mas era como se fosse. Seja lá
como for o tal tio era médico, daqueles todos certinhos, cuidava dos
pacientes mais carentes de graça, chegava em casa sempre no mesmo horário,
era carinhoso com a esposa e os filhos. Ai o véio bateu as botas. No que a
viuva tá chorando "buaaaaaaaaaa, buaaaaaaaaaaaaa" descobre que o finado
tinha outra esposa e até filhos. Quem diria.
Bom, eu conhecia outra pessoa ainda pior. Nubia - o nome é real. Secretária
e traira. Duas caras mesmo, mais falsa do que dinheiro do Banco imobiliário.
Essa se metia em tudo. Não era jornalista, mas dava palpite no trabalho
alheio. Isso porque além de secretaria era parenta - distante - do chefão da
redação.
Meu sexto sentido sabia que tinha algo errado com Nubia e achava que era por
causa das trancinhas. Ela ouvia aqui e contava ali, como queria. Como eu
abro a boca e falo na cara, basta o calo doer, várias vezes estive na corda
bamba por causa das trancinhas da Nubia. Mas quem saiu do jornal foi ela.
E ai, os podres começaram a aparecer. Ela não estava mais lá e os rapazes
(homem fala mais que mulher e é pior, porque homem quando não sabe as
fofocas, inventa)começaram a revelar o que seria "segredo". Nas paredes dos
banheiros começou a aparecer tudo o que Nubia fazia na calada da noite e
escondida do noivo. Caracaaaa: véia de 90 anos era freira perto do que eu
lia. O tempo passou e duas ou tres secretarias depois, Eliana (essa é gente
boa) faz uma faxina na gaveta e acha uma agenda.
"Fa, é sua?"
"Não... Abra ai, deve ter o nome".
Estava lá, era da jararaca da Nubia. Folheando aleatoriamente (er, nem tão
aleatoriamente, sou curiosa, mas sou repórter, gente) eis o que eu acho: uma
lista de despesas. E...
Mostrei a Eliana:
- arráaaaaaaaaaaaaaaaa, olha o que eu achei...
Estava lá: aborto. Horário marcado numa clinica fajuta e o preço. Isso
mesmo: a trancinheira, crente, que entregava todo mundo na redação "por que
é para o próprio bem", tinha matado um bebê.
Quis mostrar a todo mundo. Ligar para uns colegas contando a fofoca, mas
Eliana não deixou.
Mas, porque lembrei de tudo isso: porque Nubia era uma mulher que fala
demais. E pior que em vez de ser uma fofoqueira beleza, uma ajudante de
reporter, não, era daquelas que faz estrago. Escondia os podres revelando os
podres alheios porque dizia que "faço isso em nome de Jesus Cristo. Ele
manda apontar os erros alheios porque eu sou submissa ao chefe e depois de
Cristo é ao chefe a quem eu devo obediencia".
E ainda usava o santo nome em vão.
Mas, não adiantou nada. Perdeu o emprego. Nunca mais tive noticias mas acho
que devem ter descoberto os podres dela, porque, felizmente, as mentiras um
dia vêm a tona.
E é como eu disse: quem posa de boazinha tem um podre bem cabeludo a
esconder.

Capitulo 6

E é isso...
Não há o que dizer. Esperdicei uma imagem (o logo da novela) a toa. O que
devia ser uma novela acabou sendo um "querido diário" muito chato.
Donde se conclui:
aprenda, criar qualquer coisa no inferno astral vai dar zebra e nunca dará
certo.
...................................................................
Puxa, mas eu já cheguei a seis capítulos. Quem sabe dá para contar mais
histórias aqui. Sobre as mulheres que eu conheço que falam demais. Já falei
sobre Isabel do mingau - que grita demais - sobre a Nubia - que entregava
demais.
E por falar em armações e entregações fiquei sabendo de umas coisas
impublicáveis sobre colegas meus que ainda estão no mercado de trabalho.
Impublicáveis mesmo, porque envolvem mais que entregação, envolve armação
ilimitada tipo "vamos derrubar para não ficar desempregados". Feio isso. Mas
o que tá valendo, gente. Muitos dos que estão no mercado de trabalho estão
assim: não por competencia, mas porque derrubaram alguem.
...................................................................
E eu penso se não seria o caso de eu derrubar alguem?
Quem sabe derrubar o diretor da revista... e ficar no maior bem bom?...
Não, me falta estômago. Não iria ter coragem.
Entretanto, é assim que funciona o mundo: na base da derrubação, da
entregação, da armação. São esses os jornalistas que estão no mercado:
ocupando vagas que poderiam ser minhas.
..................................................................
Mas eu já jurei: vou me inscrever no próximo Big Brother.
Com o dinheiro do premio, publico meu livro. O mesmo livro que as editoras
me negaram o direito de publicar a menos que elas fiquem com 80 por cento do
que vender...
Isso é Brasil. Pais do Lula e das injustiças, e eu me pergunto que é que
aconteceria se eu morasse em algum favelão tipo a Cidade de Deus...
Bom, talvez ai fizesse um filme, fosse indicada ao Oscar, e botasse a maior
banca aparecendo no Fantástico, mas...
Eu sou apenas jornalista e estou desempregada.
Capitulo 7

Andei lendo uma matéria do Mestre dos Mares (seja lá que nome for) do Peter
Weyr. Vi a foto do Russel Crowell e me lembrei que ele já foi personagem de
uma novela minha. Mais de uma. Já "trabalhou" em O Telefone, em Quando a
Brisa Assovia, ah, e deve ter feito quando nada uma ponta nas outras
histórias porque aqui é assim: homem bonito vira personagem de novela.
Herói, de preferencia. Ou bandido pero no mucho. Mulher... Depende. Oscilam
entre mocinhas e bandidas mas se for inimiga, pode crer, vira nome das
vilãs... Mas no fundo as vilãs nem são vilãs no sentido mais clássico da
palavra. Só são umas bobas mesmo. Tipo loira de piada.
Bom, todo este papo me lembra que eu deveria estar aqui escrevendo uma
história de ficção sobre um grupo de fofoqueiras reunidas num spa onde
coisas inacreditáveis acontecem: desde roubos de sandálias de borracha até
velhinhas com mais de 60 namorarem com seguranças com menos de 30...
Mas aconteceu uma coisa trágica.
Sério gente: a única capacidade que eu tinha era a de criar, de escrever.
Morreu. Já são quase 2 meses sem um poema, essa novela se arrastando. As
matérias do Luna que não saem. Outros compromissos que vou atrasando...
Mataram minha capacidade de escrever.
Ou meu texto se suicidou sozinho, sei lá.
O fato é que não sai nada...
Já tentei até uma novela séria. Olha só. Coisa pra mandar pra Globo e tudo
mais. Novela de mistério e aproveitando pra tacar o pau naquela raça ruim
que se chama médico. Ia se passar num hospital - do Sus, claro - onde os
pacientes morriam todos os dias porque os doutores davam a ele remédios
vencidos... Só que ficou ridiculo.
É gente...
As vezes me bate uma quase certeza aqui: jornalista só sabe escrever se
tiver contra-cheque no fim do mês. E eu sou uma deles...

Capitulo 3

Estou aqui nesta gloriosa manhã de verão, ouvindo Renato Russo (in memoriam,
claro) cantando Strani Amore.
Gloriosa manhã de verão... E acordei muito mais cedo do que devia. Muito
mais cedo do que precisava. Com Isabel do mingau berrando do outro lado da
rua. E aconteceu de novo de eu me arrumar toda. Modelito fashion, sapato
altissimo, minha pasta de couro chiquérrima e... Ai vem a parte cruel da
história eu me lembro que não há nenhum trabalho ou emprego em que eu
precise bater ponto.
Ai resta ficar na janela observando o movimento.
E a culpa é de Isabel lá do mingau.
Isabel é a típica mulher que berra demais. Ela, como monte de outros
baianos, acha chique e lindo berrar na rua. Resultado: fica de um lado da
rua berrando para o marido estacionado do outro lado e quase na outra
esquina: "fulaaaaaaaaaaanooooooooooooooo quando der dez horas venha me
buscaaaaaaaar"...
Bom, pelo menos Isabel tem um trabalho que lhe rende dinheiro e alguma
diversão. Vende lanche, mingau, sarapatel e outras coisas lá isso as
5h30min, 6h da manhã. E deve ter uma vida feliz. Eu nunca vi Isabel de mau
humor. Muito pelo contrario. Chova ou faça sol ela está lá, berrando, mas
sorrindo, cumprimentando todo mundo que passa na rua, conversando,
perguntando pela saúde e pela familia enquanto eu...
Ah, eu fico aqui ouvindo Renato Russo, ouvindo Ne me quitte pas, com a
Patricia Kaas e achando o máximo pois é tudo o que tenho a fazer. E é muito.
Pois há - infelizmente - quem nem tenha ouvidos a ouvir, ou quem nem tenha
tempo de ver se faz chuva ou sol...
Ouvir classicos franceses... Especialmente cantados pela Patrícia... Daí eu
lembro que vi a Patricia cantando ao vivo. E quantos não viram? E quantos
nem sonham que ela existem?
Ah, gente, sem essa de pensar no resto do mundo. Um amigo me censurou
dizendo que "você tem onde morar, Fa, tem gente que nem isso". Ah, cansei de
me sentir um verme por ter gente infeliz no mundo. Não sou culpada. Quero
apenas continuar acordar com a Isabel berrando, com os bêbados do resto de
noite gritando "não se vá" e entender que eles são felizes. E são felizes
porque têm o que fazer. Eu eu quero entender que posso ser feliz porque
tenho o que fazer. Ouvir música, malhar, ver se faz sol ou se chove. E é
muito...

Capítulo 4

Ontem recebi um poema que me emocionou. Chama Morrer de Amor, formatado
lindamente com um belo grafico. Não lembro quem mandou. Só do texto. É que
eu sempre achei o must morrer de amor, mas se pensar bem, o amor é trágico
mesmo.
Ah, falo de amor, essa de sentimento intenso, cheio de paixão. Não tou
falando aqui nessa coisinha normal que vemos por ai de ficar hoje, ficar na
próxima festa, se der ficamos de novo, e quando reparamos a ficação é tanta
que tá na hora de assumir alguma coisa, ai, chamamos de "amor pra cá", "amor
pra lá", casamos, etc e tal... Mas, não acho que é amor, amor, não. É apenas
uma ficação que deu certo.
Se bem que Romeu e Julieta foi uma ficação que deu certo, virou amor e
acabou em tragédia.
Romeu e Julieta marcaram minha vida. Vi o filme em plena adolescencia.
Depois li o livro. Em ingles e em portugues. Um primor de bem escrito. Lindo
mesmo. E ai, comecei a imaginar coisas diferentes na história. Mil
mirabolancias. Até que Romeu arrumou outra no exílio em Mantua, e Julieta
fugiu com Teobaldo, o primo, para escapar do Conde Paris. Pois é. Imaginava
mil e umas e deixava os dois vivinhos da silva.
Eles ai seriam felizes para sempre e iam ficar veinhos e casados que nem
Tarcisio Meira e Gloria Menezes.
Putz... ia ser muito chato. Romeu ia ter que ser meio galinha, que nem um
amigo meu que é casado com várias fora as namoradas. E ai Julieta, que
virava uma mama e depois nona italiana, dava porrada, fazia cenas de
pretenso ciume mas aliviava as tensões com um lindo personal trainner de 28
anos.
Sacanagem? Bom, teve outras histórias que eu já sacaneei aqui ou nas
crônicas. Mas, para eu ser engraçada eu preciso estar com raiva de alguem.
Ai transformo essa pessoa num vilão mais ordinário que o Coringa do Batman.
Ou ter um belo romance, filme, ou novela pra sacanear. Como O Telefone,
Porque os cães latem, ah Quando a brisa assovia...
Breve vou sacanear aqui um filme de suspense fajuto que eu assisti: a mão
que balança o berço... Mas, enquanto isso, deixa eu filosofar nesta pretensa
novela dramática. Deixa minha imaginação voar e imaginar que eu estou
gripada por amor... Gripada, sim. Tussindo, com febre, corpo dolorido, só
querendo ficar deitada enrolada nos cobertores, tremendo de frio e
assistindo comédias românticas com finais felizes no DVD. Gripe de amor ou
outra doença leve e perfeitamente curável. É isto o máximo que me permito
por amor ou não amor.
Afinal, dizem as más linguas que homem é que nem ônibus. Ce perde um vem
outro daqui a pouco. Pior é quando os motoristas fazem cera, ai demora
horas. Mas, enquanto isso ce fica no ponto xingando a sogra... Sempre as
sogras que são culpadas, baby. Não sei de que, mas são. Deve ser porque
sogra é linguaruda, fala o que não deve, adora uma fofoca. Uma das tipicas
mulheres que falam demais...

domingo, 18 de janeiro de 2009

Mulheres...



Capitulo 2

E tudo começou quando eu torci o pé na Orla, no verão de 2000. Tudo começou
a dar errado... Isso mesmo. Errado.
Quando eu era pequena imaginava torcer o pé, ter que engessar para chegar na
escola e todo mundo assinar no gesso. Eu lembro que era a maior folia.
Quebrou braço, torceu pé, botou gesso, todo mundo assinava. Virava
celebridade.
Doce ilusão. Ganhei duas semanas de licença no trabalho, só recebi uma
visita, a de Kate minha amiga do chat, e ainda tomei bronca do chefe. E teve
mais: perdi uma boca livre para o festival de musica instrumental de
Ilhabela, em Sampa. Só não entendi que nesse momento eu começava a perder
meu emprego e minha vida começava a mudar. Pra pior...
Eu era feliz e não sabia.
Eu já era espiritualista, mas só que preferia falar sobre reencarnação,
terapia de vidas passadas e outros assuntos, no bar tomando cerveja com o
pessoal do curso de inglês. Hoje, sou espiritualista e o que acontece:
nada... Metade das coisas que eu fazia eu não faço por causa da porra da
auto-censura. E eu vejo as peruas, e as mais que isso felicissimas da vida e
penso: elas descobriram o nirvana sem saber quem é Buda. Pois é. Não venham
me dizer que não...
Iiiiiiiih... Ah, e de arrependimento de umas malvadezas que andei fazendo.
Malvadezas da boca pra fora, mas malvadezas. Já era. Sem essa de me
martirizar pelo que passou. Mesmo porque nem adianta.
Genteeeeeeeee... Tenho uma novela a escrever e não memórias. Eu falei
novela. E meu sonho é mesmo escrever uma novela. Mas, pro Casseta e Planeta.
Meu sonho de consumo. A Glória. Redatora do Casseta e Planeta. Será que dá
pé? Quem sabe eu me inscrevo no próximo Big Brother, apareço, aconteço e o
emprego é meu.

Era pra falar das colegas da ginástica, de preferencia as mais chatas, pra
ter mais graça. As que passam a aula inteira conversando. Teve uma que me
confidenciou:
- Fatima, eu sou muito carente. Meu marido não gosta de conversar. Só tenho
as aulas de ginástica e a internet.
- Depois da aula, Dilma, tu senta ali no Tio Medrado, toma todas, come
caranguejo e abre a matraca, mas na aula não.
Inevitável: de tanto elas falarem e o professor achar folclórico um dia eu
literalmente berrei; CHEGAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
TOU FORAAAAAAAAAAAAA
e deixei a aula pela metade.
Foi ai que lembrei da minha vida antes do pé torcido, mais precisamente de
minha vida no jornal.
Por onde eles andam? Aqueles que eu pensava que fossem amigos?
Munhoz, Painho, Walter, Levi, Eduarda, Claudio, Junior, por favor, se alguem
ler este blog dá um help.
Tou cansada de ser jornalista apenas no nome. Quero voces de volta a minha
vida, quero minha vida de volta, uma redação pelo amor de Deus... Quero
ouvir Roque Mendes dizendo que esqueceu as cuecas na casa da Mãe de Bonfim,
quero correr nas matérias para tomar uma no abaixadinho - que nem existe
mais - quero escrever algo que não seja novela, mas seja verdade.
Gente... Cheguei a conclusão que estou vivendo uma vida que não é minha.
Estou com saudade de mim mesma.
Será que dá pra mudar o script desta história sem que haja interferencias de
terceiros? Continuo cheia de gás, aqui. Escrevendo em blogs, e-mails, em
sites. É o que me resta, mas não é minha vida, porque minha vida é ser
jornalista. E ser jornalista, gente, é muito mais que escrever, é ter que
aturar e dar graças a deus porque existem
MULHERES QUE FALAM DE MAIS
Em matérias sobre o preço no supermercado ou para contar as fofocas do
vizinho ("em off, nem bote meu nome, please") elas são imprescindíveis.

Mulheres que falam de mais



Capitulo 3

As duas figuras misteriosas eram apenas duas leitoras da novelinha, Cacá e
Mamá... E elas riam do logo de abertura da novela, só isso...

Bahia, cansado do falatório por causa do tamanco roubado, convoca Damião
para fazer uma completa busca no spa.
- Ou achamos o larápio ou seremos deSPAchados para outra freguesia, meu caro
Dami...
- então vamos procurar. Quem sabe dona Gil ali tem uma pista.
- porque ela?
- é a pessoa mais bem informada do spa. Sabe os preços de todos os produtos
de todos os supermercados.
- mas aqui não tem supermercado... como ela consegue ficar atualizada?
- lendo a coluna de defesa do consumidor. ora. ela lê e decora. diz que
número ajuda a ativar o lado direito do cérebro.

enquanto isso, Marya e sua ajudante Gengivalda (o nome é porque ela só vive
rindo, e de preferencia na ironia mesmo) conversavam
- ô gengiiiiiiiii, você já fez a vaquinha para o presente do Dr. Klaus?
- Mas, Marya, temos um problema mais sério, o seu tamanco.
- Esse foi a Divina. Ela aqui é persona non grata, olha ela ali, só vive
lendo.
- Mas seu tamanco custou uma nota.
- Custou nada, Marya, ce sabe que eu adoro uma pechincha. Foi baratíssimo.
- Mas você fez um carnaval
- Para ver se tiram a Divina daqui ora...
- ahahaha, você é Danadinha... Mas porque essa implicância com ela?
- Ta vendo não? Todo mundo aqui fala que nem a nega do leite, só a Divina é
caladinha...

Dali a instantes...
Toda a sirene de emergência do spa
uóooooooooooooooooooooooo
- atenção, todos na recepção, emergência máxima, pra lá de máxima, muito
mais que máxima

Quando chegaram lá encontraram Bahia, Damião e Eleonora...

- Olha aqui, Madame Marya. Nós pegamos a larápia, Eleonora...
- Arráaaaaa, eu sabia que só podia ser uma delas...
- Divina, você fala?
- claro, mas no momento certo, rebanho de peruas. Eleonora, amiga e
puxa-saco da Marya. Sabia que estavam todas combinadas ai para me incriminar
e me tirar do spa.
- Não, não foi isso, Didi. Ce sabe que eu não enxergo bem. Bom, estou de
caso com o outro segurança, o Devagar. Ele combinou comigo uma voltinha na
praia. Peguei o tamanco da Marya crente que era o meu.

muito mais tarde, no salão de jogos

- Das neves, cadê a Do Carmo e a Das Candeias?
- sei lá Do Céu... devem estar ai catando seguranças, virou moda desde que a
Eleonora e o Devagar assumiram o romance
- que escandalooooooo
- escandalo, nada, menina, secura mesmo a Eleonora é viuva tava precisada
- mas o Devagar... tenha santa paciência. Eu prefiro o Bahia...
- e eu prefiro o Expedito
- Expedito? aqui não tem Expedito...
- falo do santo. quem sabe ele faz algum milagre, eu fico bonita e Spielberg
me convida pra trabalhar em Hollywood.

- mas a novelinha vai ficar só nisso?
claro que não, né? Aguarde que Marya e Gengivalda ainda vão aprontar muitas.
 
Capitulo 4

Muito tempo se passou até que esta novela continuasse.
Bota tempo nisso, mas a autora viveu uma autentica NOVELA
aqui do lado de fora.
Por isso é que me permitam, mas vou reescrever tudo, desde o capitulo 1 para
tornar a pegar o ritmo e continuar nossa novelinha...

aguardem que agora ninguem segura nos.
Capitulo 1

Livinha é mãe de uma profissional dos meios de comunicação que mora na Bahia
e de vez em quando é dada a escrever historinhas pros bofes dormirem. Quem
perguntar se essa profissional de comunicação é jornalista, digo SIM, quem
perguntar se sou eu digo SIM, se perguntarem "você tem coragem de colocar
sua própria mãe de personagem da história?" eu digo: 'qué qui tem demais?
tou falando que ela vai ser a bandida??"
Pois é. Minha mãe fala pra dedéu. Quando junta com as amigas dela, putz!
meus ouvidinhos doem... A véia ainda por cima é prolixa e detalhista. Onde
tem ponto bota reticências, e adora lembrar histórias. Do jeito dela, claro.
Levemente aumentadas. Que nem imagem que a gente pode salvar em jpg,
levinha, mas insiste em bmp pesadissima. Meio por ai.
Mas, Livinha perde o fio da meada, as vezes fica: 'hum... não, errei. não
foi bem assim, ah, lembrei, foi desse jeito"... Isso aconteceu aqui. Pensei
na história, tive uns revezes e perdi o fio da meada.
E assim, Dona Livia, que detesta computadores e essa hora está na fazenda
brigando com nossa fiel escudeira, Laura, pois o esporte preferido delas
duas é discutirem o dia inteiro, encerra sua participação como personagem de
novela. Aqui encerra-se também a novelinha das faladoras do spa, inspirada
nas minhas chatíssimas colegas de hidroginástica. Mudei de turma, perdeu a
graça. Fiquei sem subsídio já que tem coisa ai que é verdade. Não tinha
Bahia, o segurança, mas que cá pra nós o guardador do estacionamento tem uma
queda por uma colega minha, tem. Precisa ver como ele cuida do Audi dela.
Fica pra depois.
Neste meio termo, minha vida aqui virou uma novela, gente. Agora que tou
desenrolando as coisas.
Mas, tudo começou no dia em que eu torci o pé andando na Orla. Há tres anos.
Novela que se preze tem que ter flash-back, pois vamo que vamo, de
flash-back e tudo mais. Tem que sair uma história daqui. Não sei como. Mas
vou tentar



As Estrangeiras - Capitulo 4 - Gabrielle a francesa

Capitulo 4 ´- Gabrielle, a francesa Gabrielle era francesa mas não nasceu nem morava em Paris. Tampouco morava em, Lyon, Marseille, N...